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Nos últimos anos cada vez mais
assistimos ao desmoronamento desses princípios
considerados hoje, por uma parcela significativa da
população como insignificantes, desnecessários. E
não pensem que isso se dá na classe dita "carente"
apenas não. Pelo contrário! É em classes sociais ditas
"instruídas" que esses conceitos estão deixando de
existir.
São essas classes que estão "ditando" o que "o povo quer
e gosta", desde que esse querer e gostar signifique
milhares de reais a mais na sua conta bancária ao final
do mês. Não interessa que o "produto" que eu vou
oferecer à massa hipnotizada pelos clamores do sexo, do
álcool e das drogas seja cada vez mais alucinógeno e
danoso. Não. O que importa é que eu consiga manipular
multidões que, levadas pelos extintos mais primários do
ser humano, se animalizam e se pervertem em níveis cada
vez maiores chegando até ao deterioramento moral e
físico.
E o pior, a grande massa não percebe isso.
Pior, a grande massa também é composta por pessoas ditas
"intelectuais e instruídas" que dependentes de seus
instintos não conseguem pensar como seres humanos que
são, deixando-se levar pelo chamado "cérebro
reptiliano", nossa ligação com o primitivismo do qual
todos nós viemos e, pasmem, alguns ainda fazem questão
de se manter.
É lamentável vermos uma sociedade onde os pais estão
ensinando aos filhos a se avaliarem pelo que tem de
posses e não de qualidades morais. Adolescentes que
estão enlouquecendo pela busca do "corpo perfeito", na
paranóia de serem cada vez mais sensuais em suas
fotinhas de facebook, orkut. Rapazes que confundem
masculinidade com "beber até cair" numa pseudo
demonstração de força aos seus "amigos" tão equivocados
como eles. Ver pais de família se endividando e se
digladiando como "urubus em cima do pedaço de carniça à
beira da estrada", brigando por equipamentos que não
precisam, simplesmente porque "estava em promoção", numa
cena animalesca e deprimente.
E quem está insinuando e cultivando isso na mente da
massa?
Aquilo que nós chamamos de veículos de comunicação.
Mídias.
Nome bonito. Com missão grandiosa. Porém, com utilização
perniciosa de uns tempos para cá.
E que me perdoem os colegas de trabalho ou a quem mais
minhas sinceras e, porque não dizer, angustiadas
palavras doerem e incomodarem, mas o fato é que somos
também responsáveis pela queda do padrão moral de nossa
sociedade.
Há 12 anos, aquela que é considerada a grande rede de
comunicação desse país coloca no ar um programa com tudo
aquilo que existe de mais deprimente, medíocre e baixo
na televisão brasileira. Neste CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA os
grandes heróis e heroínas são criaturas vazias,
agressivas, maldosas, maledicentes, fúteis que usam de
todas as artimanhas para ganhar R$ 1 milhão.
Este campeão de audiência diz à você há 12 anos que
passe a prestar atenção na vida do outro, na intimidade
do outro, no que o outro está fazendo, inclusive nas
relações sexuais do outro. Enquanto você não olha para o
que de fato importa: pra você e para o que estás fazendo
com a tua própria vida.
Festas afrodisíacas, corpos sarados, mulheres gostosas
são vendidos como a realidade da nossa sociedade, como
se vida fosse apenas isso: comer, beber, transar e
sacanear com o seu parceiro.
Há alguns anos, e não precisa ir muito longe
não, observar a intimidade de um casal era considerado
um crime. Quem praticava o voyerismo, como é chamado,
era considerado uma pessoa desvios sexuais, alguém que
precisava de tratamento.
Hoje, milhares de jovens e adultos PAGAM, eu disse PAGAM
tranquilamente um canal de assinatura na net para DAR
UMA ESPIADINHA no que os "brothers" estão fazendo quando
saem do ar. E aqui, nesse grupo que vara a madrugada
brechando o que é feito na CASA MAIS OBSERVADA DO
BRASIL, como os seus maravilhosos criadores a definem,
estão pais e mães de famílias, profissionais liberais,
educadores, pessoas da lei e da justiça. Todos
nivelando-se pelo que possuem de mais primitivo: o
instinto animal.
Essa semana, a 12ª edição do CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA marcou
80% o Ibope. Sabe por quê? Porque todo mundo queria
saber se havia ou não ocorrido um dos crimes mais
bárbaros que um ser humano pode cometer a outro:
ESTUPRO.
O assunto correu as redes sociais, a mídia em geral.
O vilão? Um modelo. A vítima? Uma moça embriagada. O
local? O quarto da CASA MAIS OBSERVADA DO BRASIL.
O assunto é alvo de polêmica, claro. Afinal, uma moça
supostamente foi estuprada em frente às câmeras
assistidas por milhares de pessoas. Mas, quantas não
torceram para saber se ela acordaria ou não? Quantos, de
fato, se surpreenderam com o que viam e ligaram para a
polícia? Quantos acham que aquilo é um jogo de cena para
ganhar ibope?
E ai, a grande rede de televisão pensa em como resolver
o assunto. Primeiro: vamos tirar o vídeo do ar já que
agora rolou polícia. Segundo: vamos faturar em cima
dando ibope, ou seja, colocando o modelo NO PAREDÃO e o
eliminando do programa. Resolvido então o problema.
NÃO. O problema não está resolvido porque o local que
permite e incentiva que esse tipo de coisa aconteça
continua no ar, incólume, intocável.
Fico me perguntando se as diversas mocinhas e mocinhos
que assistem e comentam tão nobre programa gostariam de
estar no lugar desses dois jovens que estão com as vidas
manchadas por uma "diversão" onde tudo vale. Gostaria de
saber se os pais e mães desse país que assistem e fazem
questão de deixar os filhos na sala assistindo tão nobre
produção televisiva e que comentam na frente deles os
"babados dos brothers", gostariam de ver seus filhos
numa situação similar ou, ainda, ter a sua intimidade de
casal invadida pelos vizinhos que ficassem "brechando"
pela janela ou pelo telhado para "dar uma espiadinha no
quarto do lado".
Está na hora da sociedade, aquela parcela que ainda
busca ter algum princípio de respeito por si próprio e
pelo que lhe cerca, tomar uma atitude para dar um basta
nesse assassinato de tudo que existe de mais sagrado na
vida; conceitos morais divinos de respeito a si e ao seu
próximo, antes que tenhamos mais pais e mães tendo que
chorar pela derrocada de si mesmos e de seus filhos
"hipnotizados" pelo ganho do dinheiro fácil, bastando
apenas ser medíocre para se alcançar o que deseja.
Esta na hora do boicote a empresas que patrocinem esse
tipo de programa, porque sem dinheiro "deixa de haver
campeão de audiência". De desligar os aparelhos de
televisão durante o horário em que programas como esses
são transmitidos.
Está na hora dos cidadãos de bem saírem do comodismo e
passarem a atuar, de fato, na sociedade.
Está na hora da gente começar a ser aquilo que exigimos
dos outros: coerentes.
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DESABAFO DE UMA VELHINHA DIANTE DA ONDA VERDE
Autor desconhecido
"Na
fila do supermercado o caixa diz uma senhora idosa que deveria trazer
suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de
plástico não eram amigáveis ao meio ambiente.
A
senhora pediu desculpas e disse: Não havia essa onda verde no meu
tempo!
O
empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha
senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio
ambiente. "
"Você
está certo",
responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente
com o meio ambiente.
Naquela época,
as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram
devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde
eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os
fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos
com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque
não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos
até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de
potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.
Mas
você está certo.
Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas
de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis.
Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas
máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que
realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as
roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não
roupas sempre novas.
Mas é
verdade:
não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época
tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto.
E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do
tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na
cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos
porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando
embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal
amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de
plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.
Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para
cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia
músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma
academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas
você tem razão:
não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos
diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de
usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.
Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao
invés de comprar uma outra. Afiávamos as navalhas, ao
invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só
porque a lâmina ficou sem corte.
Na
verdade, tivemos uma onda verde naquela época.
Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou de ônibus e os
meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés
de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma
tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede
para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um
GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no
espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio
ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco
como na minha época?
Não
conhecemos o autor

Ensinamentos das MÃES DE ANTIGAMENTE:
Pra lembrar, e rir...
Coisas que nossas mães diziam e faziam... Era
uma forma, hoje condenada pelos educadores e
psicólogos, mas funcionou com a gente e por isso
não saímos seqüestrando a namorada, calculando a
morte dos pais, ajudando bandido a sequestrar a
mãe, não nos aproveitamos dos outros, não
pegamos o que não é nosso, nem matando os outros
por ai, etc...
Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...
"ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS
DENTES!" (e arrebentava mesmo...)
Minha mãe me
ensinou a
RETIDÃO...
"EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!"
Minha mãe me ensinou a
DAR VALOR AO TRABALHO DOS
OUTROS...
"SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA
FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!"
Minha mãe me ensinou
LÓGICA E HIERARQUIA...
"PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É
QUE MANDA AQUI?"
Minha mãe me ensinou o que é
MOTIVAÇÃO...
"CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO
VERDADEIRA PARA VC CHORAR!"
Minha mãe me ensinou a
CONTRADIÇÃO...
" FECHA A BOCA E COME!"
Minha Mãe me ensinou sobre
ANTECIPAÇÃO..
"ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"
Minha Mãe me ensinou sobre
PACIÊNCIA...
"CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER
SÓ..."
Minha Mãe me ensinou a
ENFRENTAR OS DESAFIOS...
"OLHE PRA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER
UMA PERGUNTA!"
Minha Mãe me ensinou sobre
RACIOCÍNIO LÓGICO...
"SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO
E EU VOU TE DAR UMA SURRA!"
Minha Mãe me ensinou sobre o
REINO
ANIMAL...
"SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA
SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!"
Minha Mãe me ensinou sobre
GENÉTICA...
"VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!"
Minha Mãe me ensinou sobre minhas
RAÍZES...
"TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?"
Minha Mãe me ensinou sobre a
SABEDORIA DE IDADE...
"QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI
ENTENDER..."
Minha Mãe me ensinou sobre
JUSTIÇA...
"UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO
QUE ELES
FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ
VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"
Minha mãe. me ensinou
RELIGIÃO...
"MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"
Minha mãe me ensinou o
BEIJO
DE ESQUIMÓ..
"SE
RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA
PAREDE!"
Minha mãe me ensinou
CONTORCIONISMO...
"OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!"
Minha mãe me ensinou
DETERMINAÇÃO...
"VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!"
Minha mãe me ensinou habilidades como
VENTRÍLOQUO...
"NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE
É QUE VOCÊ FEZ ISSO?"
Minha mãe me ensinou a
SER
OBJETIVO...
"EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!"
Minha mãe me ensinou a
ESCUTAR ...
"SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E
QUEBRO ESSE RÁDIO
NA TUA CABEÇA!"
Minha mãe me ensinou a
TER
GOSTO PELOS ESTUDOS...
"SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA
LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."
Minha mãe me ajudou
na
COORDENAÇÃO MOTORA...
"JUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR
UM!!"
Minha mãe me ensinou os
NÚMEROS...
"VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER
VOCÊ LEVA UMA SURRA!"
Brigadão,
Mãe !!!
Eu não virei bandido...
Não
conhecemos o autor

Crianças orando por um mundo melhor
É um
movimento independente de religião, credo ou crença,
para a promoção
de uma
rede de orações realizadas por crianças, visando
potencializar nelas
o amor
pela vida, pela natureza, por tudo que existe.
Foi
desenvolvida em parceria com este Programa,
Cinco
Minutos de Valores Humanos para a Escola,
e
faz parte do movimento "Orando pela Terra".
Orar
pela Terra e pela humanidade é um ato de amor que gera
efeitos
benéficos também entre os que oram.
O convite é
para você, diretor de escola, educador, professor, pedagogo,
pai/mãe,
orientador
ou cuidador de crianças a integrar este movimento: que tem duas
finalidades,
cada qual mais importante:
1-
Infundir nas crianças, mesmo de forma subliminar, valores como o
amor, o afeto, o cuidado
com a
natureza, com a humanidade, com a vida, e piedade para com os
que sofrem.
2 -
Colaborar com a Terra e o ser humano, tendo em vista que
diversas pesquisas
científicas,
fundamentadas na Física Quântica, evidenciam a importância
e os
efeitos produzidos pela oração.
(No site
www.orandopelaterra.org
são
apresentadas
inúmeras pesquisas e experimentações científicas sobre a oração,
que
modifica o próprio DNA, gera efeitos sobre as moléculas da água,
etc.)
Conheça esta
proposta
Visite o site:
http://queremosummundomelhor.webnode.com.br
Ali você vai
encontrar também sugestões de orações e
visualizações
próprias para crianças.

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Além dos
Conteúdos
Publicado em 14/3/2009
Educadores do Ceará desenvolveram programa
de Educação em valores humanos tentando
minimizar a distância entre o conhecimento e
esses valores na prática do ensino. A busca por
mudanças ganhou o Brasil até chegar ao sul, mas
há unanimidade quanto ao longo caminho que ainda
deve ser percorrido
Quando o assunto é Educação muito se fala em
formação e conhecimento, mas pouco se fala em
Educação integradora ou em valores humanos.
Segundo a educadora e consultora de Cultura de
Paz da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Regina
Migliori, o ser humano se compõe de múltiplas
dimensões (biológica, intelectual, cósmica,
planetária, entre outras), entretanto a Educação
trabalha somente a dimensão intelectual. "Todas
as dimensões devem ser desenvolvidas em uma
Educação integradora, que consegue
desenvolvê-las de forma integrada e harmônica",
explica.
Para a diretora do Instituto Migliori, o grande
desafio da Educação é desenvolver as
inteligências e competências subordinadas a uma
esfera de valores humanos universais. "Não basta
ser competente ou inteligente se isso é usado a
serviço da destruição, da violência", afirma
Regina. Ela acredita que o ideal é que o
processo educativo trabalhe as dimensões de
competência e de responsabilidade do ser humano.
"É preciso ensinar a ser competente do ponto de
vista ético", acrescenta. A educadora idealiza
uma Educação que subordine o conhecimento aos
valores humanos.
Valores que são a aposta de educadores e
pesquisadores do Ceará que desenvolveram o
programa "Cinco Minutos de Valores Humanos" e o
disponibilizam gratuitamente pelo site
www.cincominutos.org.
O programa é constituído por aulas de cinco
minutos sobre questões relacionadas aos valores
humanos, direcionadas a alunos do Ensino
Fundamental. Doutora em Educação pela
Universidade Federal do Ceará e integrante da
equipe do projeto, Maria do Socorro Souza
explica que a ideia surgiu da necessidade de
promover uma interlocução entre professores e
alunos acerca do tema. De acordo com a
coordenadora do programa, a escritora Saara
Nousiainen, a iniciativa surgiu com a
possibilidade de solucionar as principais
dificuldades que surgiriam ao se tentar inserir
Educação para valores humanos nos conteúdos
ensinados em sala de aula. "A proposta é de
aulas diárias de apenas cinco minutos para que
não se tornem cansativas para as crianças e para
que possa ser facilmente implantada pela escola
por não interferir na programação curricular",
explica Saara.
Saara Nousiainen garante que os conteúdos
ministrados tem vinculação com nenhuma religião
específica, mas abordam, eventualmente, a
religiosidade e o amor em sua forma universal.
Segundo a coordenadora, é na fase infantil que
esses valores encontram maior ressonância e por
isso o programa foi iniciado nessa fase. "Não
houve tempo hábil para alguma escola implementar
o programa, mas a receptividade tem superado as
nossas expectativas".
Saara ainda dá ênfase à abordagem das duas
vertentes em que a humanidade evolui. "Numa
delas está o conhecimento. Na outra, temos o
desenvolvimento da pessoa enquanto ser humano.
Ocorre que há uma imensa defasagem entre elas".
Para ela, trabalhar valores humanos representa o
fortalecimento dessa segunda vertente, o que
geraria uma humanidade mais justa e igualitária
e com mais possibilidades de felicidade real.
Regina Migliori também ressalta a importância de
tirar o foco dos conteúdos e dar mais ênfase à
formação do ser humano. "É preciso dialogar com
os alunos como seres humanos e apresentar não o
ser humano da competência instrumental como
vemos hoje e sim, o ser humano competente e
benéfico, ético", explica a educadora.
Ela acredita que é preciso recuperar a
capacidade de formação e de transformação da
Educação. Modificação que deve ser iniciada nos
professores e profissionais das escolas. Segundo
Maria do Socorro Souza, grande parte dos
educadores, mesmo possuindo instrução e a
informação acerca de alguns valores, os possuem
apenas no nível intelectivo, mas ainda não os
internalizaram. "Muitos não possuem autoridade
ético-moral para tanto, assim não têm energia
para bem influenciar, não passam "uma verdade"
nas aulas que ministram sobre o assunto",
complementa.
Mesmo os pais têm necessidade de transformação
para promover o aprendizado dos filhos nas
questões de valores humanos. "A grande maioria
dá péssimos exemplos aos filhos: mentem ao
telefone, são desonestos com pequenas coisas,
egoístas no trabalho e no lar, no trânsito",
afirma Maria do Socorro. A doutora explica que,
para que exista a formação integradora do ser,
de forma que os alunos internalizem essa
questão, é necessário que pais e educadores
vivenciem de verdade tais valores.
Ainda nesse sentido, Migliori sugere uma
transformação também em muitos dos acadêmicos e
pesquisadores da Educação. Ela enfatiza que é
preciso parar de discutir o assunto e começar a
praticá-lo, moldando a Educação em valores
humanos em um processo de construção conjunta.
"Hoje, tem muita gente estudando esse assunto,
mas poucos estão colocando-o em prática. Quando
falamos de valores humanos universais falamos de
algo que, de fato, é universal e não está
vinculado a um autor ou a uma filosofia".
Regina ainda afirma que os valores humanos estão
na essência do ser humano, além das
bibliografias. "É simples, como o amor é
simples, como a paz também é. Essa simplicidade
deve ser resgatada pela Educação. Visões
sectárias só vão nos atrapalhar".
Por e-mail, Saara apresentou o programa "Cinco
Minutos de Valores Humanos" à Secretaria de
Estado da Educação de Santa Catarina. Em
resposta, integrantes da secretaria pediram dois
exemplares dos livros do projeto, um para a
biblioteca central e outro para análise da
equipe responsável, é o que conta a coordenadora
de projetos e ações multidisciplinares do órgão,
Maria Benedita da Silva Prim. "Nós gostamos
muito, porque os temas e sugestões de
aplicabilidade nas aulas estão de acordo com a
nossa proposta de trabalho nas escolas".
Maria Benedita explica que os temas foram
incluídos no currículo de toda a Educação Básica
e também na de jovens e adultos (EJA). Eles
foram divididos em oito temáticas que serão
trabalhadas nas escolas o tempo todo, em todas
as 1323 escolas da rede estadual de Santa
Catarina. Segundo a coordenadora, o conteúdo do
livro "Cinco Minutos de Valores Humanos" será
útil em todas as temáticas. "O que o professor
pode fazer é adequar os questionamento de acordo
com a idade/série e disciplina", incentiva. O
início das atividades contou com sugestões de
aula para professores e gestores em reuniões e
palestras. "O resultado foi imediato, gerando
bastante reflexão e até mudança de atitudes",
conta Maria Benedita.
Segundo ela, os professores esperam que, com a
inclusão dos "valores" no cotidiano escolar, as
relações interpessoais melhorem. "Ainda é cedo
para uma resposta mais certeira, mas esperamos a
minimização do racismo, preconceito,
discriminação e violência (bullying) nas
escolas", complementa.
A contribuição de Pestalozzi
As bases para o trabalho pedagógico "Cinco
Minutos de Valores Humanos para a Escola" estão
na contribuição teórico-pedagógica do educador
suíço Johann Heinrich Pestalozzi. Nascido em
Zurique, em 1746, o órfão de pai encontrou nas
dificuldades a consolidação de sua personalidade
predominantemente humanista. Em 1798, durante a
invasão francesa, o educador reuniu crianças
desamparadas e passou a cuidar delas, colocando
em prática a Educação como um desenvolvimento
total do indivíduo, influenciado pelas ideias de
Jean Jacques-Rousseau. Pestalozzi é considerado
hoje um dos pais da Educação autônoma, com
ênfase na formação do homem ético, sem desprezo
pelo desenvolvimento cognitivo. Para ele, o
conhecimento não era propriamente adquirido, mas
sim desenvolvido, o aluno precisaria, então,
somente do estímulo do educador para a Educação
moral e espiritual, ou seja, integral. A
Educação para Pestalozzi tinha como finalidade
própria a humanização do homem.
Copyleft
- é livre a reprodução exclusivamente para fins não
comerciais, desde que o autor e a fonte sejam
citados e esta nota seja incluída.
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ADRENALINA “O estresse é o resultado de o homem criar uma civilização que,
ele, o próprio homem já não mais consegue suportar”. Dr. Vladimir Bernik (Estresse: O assassino silencioso) Como educar para que uma droga natural e imprescindível para a
vida não se torne uma arma para a morte. Lembro-me de um experimento feito com ratos num laboratório,
onde eles se reproduziam em espaço limitado. Quando começaram a
sentir a falta de espaço ou comida, algumas caíram em estados
depressivos, isolavam-se nos recantos e se deixavam morrer, em
tanto outras se matavam entre si. A adrenalina, droga gerada pelo organismo em casos de medo é o
recurso necessário e imprescindível para a defesa. Se não fosse
assim, a espécie humana teria se extinguido. Os nossos
ancestrais moravam em cavernas y a reação perante o perigo era
automática. Atacar ou correr. Mas a luta pela sobrevivência era só para se defender das
ameaças naturais? Também era necessária a defesa contra o
homem. Mesmo havendo espaço de sobra, devia-se brigar pela terra
que proporcionava a comida. Cada tribo tinha seu próprio
território, fosse para preservá-lo ou amplia-lo. Isto nos
explica a antiga tradição do “guerreiro” e as qualidades morais
que historicamente o distinguem. Podemos supor que naquele tempo, cada indivíduo de um grupo
humano devia aprender a se comportar respondendo a esse meio
ambiente. Talvez fosse o início do que hoje entendemos por
educação. Desde a antiguidade até meados do século passado a guerra por
diferentes motivos era um assunto de adrenalina pura. Enaltecer
o território e empolgar as multidões era simples e bem
organizado. Até as mães despediam com alegria aos seus filhos e
recebiam orgulhosas as condecorações. Espalhavam-se as glórias e
a emoção por defender a pátria. Porém, as baixas, as mutilações,
os escombros e a triste comprovação de tudo ser uma farsa para
manter poderes e fábricas que se enriqueciam com o sangue
derramado, foram decepcionando cada vez mais pessoas. Houve
alguma mudança nos sistemas
educativos, perante essa decepção? Nos anos 80 a UNESCO falava
em “desarmar mentes para armar a paz” e propunha, dentre várias
reformas, eliminarem dos livros de ensino toda frase de conteúdo
bélico e exaltação nacionalista desmedida. Procurava-se o
desarmamento e a união dos povos e as raças do mundo. Já passaram mais de 60 anos desde os horrores de Hiroschima e
Nagazaqui e milhões de barbáries. Hoje as guerras não são
glorificadas e o mundo entra em pânico porque sabemos que existe
um armamento nuclear capaz de destruir o planeta várias vezes. No entanto, a vida acorda a cada dia com sua arquitetura moderna
de arranha-céus, grandes autopistas, luxuosas vitrinas, etc.,
etc., e muitos, demasiados, acordam nas madrugadas arrumando
papelões, farrapos e colchões para poder seguir “vivendo”.
Milhões de crianças no mundo nascem na violência, fome,
prostituição, analfabetismo, nascem sem possibilidades e o que é
pior, segundo dizem os cientistas, os neurônios morrem após os
primeiros anos de vida de uma criança desnutrida, fato que
poderíamos qualificar de genocídio. Eles desconhecem desde o
berço outra vida melhor, desconhecem o conforto, a boa
alimentação, a família, o amor e muitos nascem “casualmente” e
terminam sendo um estorvo. Esperanças, projetos, ideais? Com
fome e incultura não é possível sonhar. Aqueles que nascem
nestas condições têm praticamente vedada a possibilidade de
evoluir. Neste panorama decadente da sociedade o estresse e a
violência são características. Mas toda situação de risco produz adrenalina. A violência
individual, o terrorismo, a violência em centros de ensino, a
destruição de famílias, a falta de trabalho, os jovens que
continuam achando nas drogas sua válvula de escape. Aqueles que
nascem em famílias “normais” também não se liberam do estresse
causado pela insegurança do desemprego. E os medos se agigantam.
A cada dia há mais crianças abandonadas. A mídia explora a
situação e reitera permanentemente todo ato delitivo, o horror é
cada vez maior e as notícias escorregam sangue. Tudo isso produz
pânico coletivo sem contar as agressividades que temos que viver
por causa dos desastres naturais. A mídia pode e deve colaborar
para uma mudança de mentalidade. Pode e deve dedicar mais tempo
à divulgação de fatos louváveis e não insistir tanto no delitivo
e o macabro. .Com este panorama visto muito superficialmente (há bibliotecas
sobre o tema) não podemos imaginar uma sociedade sadia. È que o
problema vai muito além da pobreza extrema e a marginalidade.
Jactamos-nos de que hoje as crianças nascem com os olhos já
abertos. Apenas saem do conforto do ventre materno, a maioria
deverá se adaptar rapidamente ao estrondo dos aparelhos de
áudio, buzinas, gritos e todo o caos que a sociedade moderna
produz além do que foi dito anteriormente. O resultado? Um
número elevado de crianças hiper-ativas.
Se todos os medos e inseguranças produzem um estado natural de
defesa (instinto de conservação) gerado por uma substância
química chamada adrenalina, se pensarmos que a natureza e a
sociedade sempre foram e seguirão sendo agressiva ao indivíduo,
podemos chegar a uma conclusão. A ADRENALINA é uma droga natural necessária, mas como toda droga
pode produzir hábito e a necessidade de obtê-la. E caso não encontrar a forma de dosificá-la, possivelmente cada
vez mais pessoas necessitem essa ansiedade, essa vertigem que
algumas situações produzem. È possível que sem tomar conta, a
agressividade nas escolas, ruas e muitos centros de ensino, como
o estamos vivendo, se torne normal buscando a adrenalina. É
claro, isso vai depender do meio ambiente em que o indivíduo
estiver se formando ou que já foi formado. Se o meio é violento,
então talvez, por exemplo, um passeio calmo em contato com a
natureza, para muitos poderá resultar bastante aborrecido por
falta de “emoção”.
Um caso real. Uma mãe que educava seus filhos para “a não violência” (não lhes
comprava brinquedos bélicos), observando que os meninos eram
vítimas de piadas e agressões por parte de vários companheiros
na escola, consultou um psicólogo. O psicólogo lhe disse:
“Senhora, você não pode desproteger seus filhos, está criando
meninos pacíficos para um mundo violento”. Ficamos pensando. Se nos prepararmos todos para a violência, qual é a sociedade
que nos espera? A adrenalina produzida por um ressentido social pode chegar a
ser uma arma mortal. O perigo inicial da nossa espécie já é bem longe. Hoje os
perigos são diferentes. Qual é a forma de identificar os
verdadeiros riscos? Tem-se dito até o cansaço que o pior inimigo
do homem é o homem. Uma verdadeira educação deveria aprofundar NA VIDA. Desde o
micro até o macro, desde o DNA até o universo, desde a semente
até a árvore, etc. Assim, estaríamos sensibilizando, fomentando
a criatividade, a curiosidade perdida, o amor e o respeito pelo
desconhecido. Estaríamos assim criando valores, despertando
sentimentos, virtudes e tantas maravilhas que nos diferenciam
das outras espécies. Hoje acontece que se estuda para o mercado, mas este é
inconstante, instável. Pode mudar de um dia para outro deixando
atrás uma multidão de “imprestáveis”. A triste realidade do
mundo é que muitos profissionais terminam sua carreira e logo
passam para as filas dos desempregados e sobrevivem
realizando tarefas que não exigem estudo nenhum. Esta situação
tão comum em nossa sociedade produz um fracasso que e é o pior
dos fracassos. É o fracasso dos ideais da juventude. E uma
sociedade sem ideais é uma sociedade morta. Necessitaremos uma educação diferente? A paz pode ser só uma palavra bem bonita, sonhada por poetas e
idealistas, caso a educação continue tendo somente bases
utilitárias. Estuda-se “para o mercado” e confunde-se “educação”
com “instrução”. Educar é criar no indivíduo uma forma de pensar
que mais adiante dirija seu próprio comportamento. A educação
define-se como um meio de preparar às pessoas para se comportar
de forma previsível, concordando com as costumes do grupo humano
e os riscos que deve enfrentar. Logo, a educação se
retroalimenta com aquilo que quer preservar. Da outra parte,
instruir é proporcionar conhecimentos e só isso. Mesmo que o
conhecimento não subentende necessariamente formas de
comportamento, é natural que haja uma íntima relação entre a
educação e a instrução. O indivíduo
aplicará os conhecimentos de uma ou outra maneira, segundo seja
a forma de pensar que a educação lhe haja inculcado. Se a pessoa
adquire desde a infância uma educação guiada para o
discernimento e não enclaustrada em velhos conceitos, se
conseguirmos despertar sentimentos para amar a vida, aplicará os
conhecimentos numa forma bem diferente de quem haja sido educado
achando somente aplicação utilitária a todo conhecimento
adquirido. Existem muitas instituições e filosofias que trabalham por uma
sociedade melhor, mas faltam estruturas para realizar uma
educação integral. As maravilhas científicas e toda a evolução
tecnológica, hoje nos permitem olhar um planeta Terra
paradisíaco, mas o mundo se separa rapidamente. De um lado se
vai para o espaço ou o DNA. De outro lado temos um panorama
decadente. Caso não se ponha uma urgência em cuidar as crianças
de hoje, em 15 anos lamentaremos o irrecuperável. Alicia Carabajal
Novembro de 2010
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Pedagogia da presença
Construímos nossa
sociedade a partir da exploração, física e/ou psicológica do outro. E
alguns de nós assim agem com uma tranqüilidade (ou estupidez, ou uma
ignorância) incompreensível. Há, inclusive, quem exerça tais violências
em nome de Deus – como se Deus pudesse ser medido no sistema métrico
humano. Mas, tenho certeza, isto todos/as os/as senhores/as já sabem.
Preciso acrescentar,
entretanto, e ainda que rapidamente, outra dimensão – maior ainda – da
violência que homens e mulheres cometem contra homens e mulheres.
Bilhões de seres humanos, ainda no ventre materno, são condenados à
morte. Geralmente são africanos, são asiáticos, são latino-americanos –
são brasileiros. Há também norte-americanos e europeus, embora em menor
proporção.
Estas crianças, que
teimam em nascer, são filhos e filhas da classe trabalhadora – classe à
qual nós pertecemos, não podemos esquecer disto –, estão em nossas
escolas e dependem dela para driblar a pena de morte à qual estão, por
nascimento, condenadas. São os ‘matáveis’ que sentam nas carteiras das
escolas públicas (anti-anatômicas) e semeiam esperanças porque, desde
cedo, aprendem que precisam arar a terra se quiserem colher o pão. São
meninos e meninas de barriga vazia que se queimam em nossas salas de
aula (sem ventilação) aguardando a “hora da merenda”: grande parte das
vezes, a primeira ou única refeição do dia. E ainda há quem defenda a
broa e a bolacha com suco (?). São moças e rapazes humilhados nas filas
de ônibus, nos postos de saúde, na espera por um emprego, na condição de
pedinte, na marginalização a que também são submetidos.
Milhares de crianças
morrem de fome diariamente. Centenas de milhões dormem nas ruas. Outras
tantas são prostituídas porque precisam ludibriar o estômago. E há um
número astronômico de viciados: precisam esquecer a vida, precisam
inventar uma fantasia, ainda que estúpida, ainda que suicida.
Todas estas crianças,
todos estes jovens e estes adultos sentam-se nos bancos das escolas
públicas. Penso que a história de vida deles e delas, o desrespeito e
desumanização de que são vítimas representam conteúdos imprescindíveis
para a formação da cidadania. NINGUÉM CONSEGUE TRANSFORMAR A PRÓPRIA
HISTÓRIA SE NÃO A CONHECE. Este “conteúdo” parece ser um excelente ponto
de partida (e de chegada) para as propostas pedagógicas das nossas
escolas, para a elaboração de uma escola pública de qualidade social.
Evanilson Tavares de França
Aracaju-SE
etfrancapoti@yahoo.com.br
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MENINOS-BOLHAS
Uma juventude
sem ética
Gazeta do Povo -
Publicado em 30/03/2009
João
Malheiro
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Cada vez
mais, nos dias que correm, pais e educadores de jovens e
adolescentes se deparam com um problema muito sério nessa
passagem difícil da adolescência para a idade adulta: a grande
indiferença para o aprendizado moral e para a vivência ética das
virtudes.
De fato,
observa-se que são muitos os jovens que passam, como ensinava
Piaget, dessa fase da heteronomia moral - fase de viver o que
lhe mandam - para a fase da autonomia ética de forma bastante
indiferente e desinteressada, como se suas escolhas não
determinassem, em parte, sua felicidade e seu futuro. A resposta
para este fenômeno parece estar não só na desvalorização e/ou
incapacidade familiar e escolar para a educação ética/moral, mas
também no atraso dessa passagem que a própria família e a
sociedade de consumo estão provocando, mais ou menos
inconscientemente.
Infelizmente, como diz Tony Anatrella, renomado psicanalista
francês, uma das maiores contradições de nossa sociedade
ocidental consiste em fazer crescer a juventude muito
rapidamente, facilitando-lhe várias experiências precoces,
muitas delas nocivas, e, ao mesmo tempo, animá-la a permanecer
adolescente o maior tempo possível, com as facilidades de uma
vida cômoda e sem dificuldades. Aprofundemos no fenômeno.
Desde a
mais tenra idade, tanto os pais como as empresas de consumo, com
seus poderosos veículos de comunicação de massa, ambos com
intenções muitas vezes duvidosas e pouco éticas, procuram
satisfazer as crianças com todos os equipamentos de diversão e
comunicação, de forma que os "convençam" que ficarem em casa, no
seu quartinho, como numa autêntica "bolha protetora de
micróbios", é a forma de serem e viverem mais felizes e seguras,
depois da escola. Constroem para eles uma autêntica "bolha
material", onde há pouco espaço para o diálogo educativo e para
as amizades verdadeiras. Como aponta Tânia Zaguri, sentimentos
de culpa pela ausência e omissão dos pais, que têm que
trabalhar, são muitas vezes os motivadores para esses excessos.
Quando
chegam à idade de desenvolver mais suas capacidades e
habilidades intelectuais, as famílias as "entopem" de cursos e
esportes extraescolares, com a ilusão de que assim conseguirão
maior realização profissional futura. Entretanto, como com a
"bolha material" só conseguiram desenvolver uma ou duas amizades
reais - virtuais muitas! - as crianças, ao sair de casa para
esses inúmeros cursos, sentem dificuldade no relacionamento e
muita insegurança. Como solução, muitas são como que obrigadas a
transportar de forma inconsciente essa bolha material invisível
para se refugiar: celulares com os seus derivativos, mp4 player,
livros... Tendo dificuldade para se comunicar e descobrir um
"outro tu", reforçam a bolha material criando uma nova camada
que poderíamos chamar de "bolha psicológica", que as cegam para
qualquer interesse que não seja individual.
Por fim, se
tiveram a sorte de conseguir ingressar na vida universitária,
onde existe habitualmente uma explosão intelectual, um aumento
do conhecimento e uma liberdade falsamente ilimitada, os jovens
que não aprenderam o certo e errado, sentem necessidade de criar
uma ética própria para satisfazer suas inseguranças ou
justificar suas ações, muitas vezes erradas, que tranquilize
suas consciências. Criam uma terceira camada da bolha, chamada
"bolha filosófica". As tragédias nesta fase, que quase sempre
são de tentativa e erro, costumam ser frequentes e deixam marcas
para o resto da vida.
Esta
tríplice camada que envolve os "meninos-bolha" é a que produz
depois uma enorme força-resultante centrípeta egocêntrica que os
leva a realizar somente aquilo que alimenta um eu voraz de
prazer sem lógica e sem limites, gerando, consequentemente, um
subjetivismo irracional, uma ética sem fundamentos sólidos e, ao
final, um coração embolhado, isto é, vazio de amor: não
conseguem entender a linguagem do amor e da amizade verdadeiros.
Estes "meninos-bolhas" não conseguem, na prática, transcender e
valorizar a ética, porque ela só se busca quando se tem um porto
a chegar, um ideal de perfeição a se alcançar.
A forma de
se abrir para uma educação ética é esperar que a própria vida,
com suas vicissitudes e tragédias dolorosas, se encarregue de
furar a bolha, acordando-os para uma realidade que não conhecem.
Outra forma mais prazerosa e inteligente, é aquela em que um
amigo(a) os ajude não só a repensar a própria vida moral, mas
também a descobrir que é a própria dinâmica e vivência das
virtudes da temperança, fortaleza, justiça e prudência, nessa
ordem, que evitará que essas bolhas e camadas se formem.
João
Malheiro é doutor em Educação e integra o grupo de
Pesquisa de
Ética na Educação, da UFRJ.

A DIFÍCIL ARTE DE DIZER NÃO AOS
FILHOS
Você costuma dizer "não" aos seus filhos?
Considera fácil negar alguma coisa a essas criaturinhas encantadoras e
de rostos angelicais que pedem com tanta doçura?
Uma conhecida educadora do nosso País alerta que não é fácil dizer não
aos filhos, principalmente quando temos os recursos para atendê-los.
Afinal, nos perguntamos, o que representa um carrinho a mais, um
brinquedo novo se temos dinheiro necessário para comprar o que querem?
Por que não satisfazê-los?
Se podemos sair de casa escondidos para evitar que chorem, por que
provocar lágrimas?
Se lhe dá tanto prazer comer todos os bombons da caixa, por que
faze-lo pensar nos outros?
E, além do mais, é tão fácil e mais agradável sermos "bonzinhos"...
O problema é que ser pai é muito mais que apenas ser "bonzinho" com os
filhos. Ser pai é ter uma função e responsabilidade sociais perante os
filhos e perante a sociedade em que vivemos.
Portanto, quando decidimos negar um carrinho a um filho, mesmo podendo
comprar, ou sofrendo por lhe dizer "não", porque ele já tem outros dez
ou vinte, estamos ensinando-o que existe um limite para o ter.
Estamos, indiretamente, valorizando o ser.
Mas quando atendemos a todos os pedidos, estamos dando lições de
dominação, colaborando para que a criança aprenda, com nosso próprio
exemplo, o que queremos que ela seja na vida: uma pessoa que não
aceita limites e que não respeita o outro enquanto indivíduo.
Temos que convir que, para ter tudo na vida, quando adulto, ele
fatalmente terá que ser extremamente competitivo e provavelmente com
muita "flexibilidade" ética, para não dizer desonesto.
Caso contrário, como conseguir tudo? Como aceitar qualquer derrota,
qualquer "não" se nunca lhe fizeram crer que isso é
possível e até normal?
Não se defende a idéia de que se crie um ser acomodado sem ambições e
derrotista. De forma alguma. É o equilíbrio que precisa existir: o
reconhecimento realista de que, na vida às vezes
se ganha, e, em outras, se perde.
Para fazer com que um indivíduo seja um lutador, um ganhador, é
preciso que desde logo ele aprenda a lutar pelo que deseja sim, mas
com suas próprias armas e recursos, e não fazendo-o acreditar que
alguém lhe dará tudo, sempre, e de "mão beijada"
Satisfazer as necessidades dos filhos é uma obrigação dos pais, mas é
preciso distinguir claramente o que são necessidades do que é apenas
consumismo caprichoso.
Estabelecer limites para os filhos, é necessário e saudável.
Nunca se ouviu falar que crianças tenham adoecido porque lhes foi
negado um brinquedo novo ou outra coisa qualquer.
Mas já se teve notícias de pequenos delinqüentes que se tornaram
agressivos quando ouviram o primeiro não, fora de casa.
Por essa razão, se você ama seu filho, vale a pena pensar na
importância de aprender a difícil arte de dizer não.
Vale a pena pensar na importância de educar e preparar os filhos para
enfrentar tempos difíceis, mesmo que eles nunca cheguem.
***
O esforço pela educação não pode ser desconsiderado.
Todos temos responsabilidades no contexto da vida,
nas realizações humanas, nas
atividades sociais,
membros que somos da família
universal.
(Do livro "Repositório de Sabedoria" vol I, Educação)

O
paradoxo do Nosso Tempo
Nós bebemos demais, fumamos demais,
gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais,
ficamos acordados até muito mais tarde,
acordamos muito cansados,
lemos pouco, assistimos TV demais
e rezamos raramente.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos
frequentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver.
Adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos
anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar
a rua
e encontrar um novo vizinho.
Conquistamos o espaço, mas não nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas
melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma;
dominamos o átomo, mas não nosso preconceito;
escrevemos mais, mas aprendemos menos;
planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais
informação,
produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos
menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta;
do homem grande de caráter pequeno;
excesso de reuniões e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos,
vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral
descartáveis,
das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas
"mágicas".
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na
dispensa.
Uma era que leva essa carta a você,
e uma era que te permite dividir essa reflexão ou
simplesmente clicar 'delete'.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama,
pois elas não estarão por aqui para sempre.
Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo,
pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua companheira(o)
e às pessoas que ama.
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de
dentro.
O segredo da vida não é ter tudo que você quer,
mas amar tudo que você tem!!!
Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão
ao seu lado.
George Carlin
Da neurociência às praticas
sustentáveis
incorporando valores à
sustentabilidade
Regina Migliori
A responsabilidade moral é a mais
pessoal e inalienável das posses
humanas, e o mais precioso dos direitos
humanos. Não pode ser eliminada,
partilhada, cedida, penhorada ou
depositada em custódia segura. É
incondicional e infinita, e manifesta-se
na constante tortura de não se
manifestar a si mesma
suficientemente.
Zygmunt
Bauman
Quão diferente seria o mundo se nosso
cérebro ético fosse mais evoluído?
Recentes pesquisas da neurociência nos
permitem fazer uma aproximação com as
questões da sustentabilidade.
Neurocientistas vêm identificando no
cérebro humano, uma região destinada ao
processamento de valores. Esta notícia
revoluciona o entendimento sobre ética e
moralidade. Esta pauta deixa de ser
exclusivamente filosófica, política, ou
comportamental, e se amplia para incluir
a dinâmica neurofisiológica.
Estamos longe de solucionar os mistérios
da relação cérebro/mente/consciência,
mas sabemos um pouco mais, e isso pode
nos auxiliar nos desafios da
sustentabilidade.
É uma revolução se iniciando.
Na parte frontal do cérebro, nos lobos
frontais, dispomos de neurônios
dedicados a realizar sinapses com foco
em aspectos éticos e morais. Estas
sinapses compõem redes neurais, uma
espécie de “avenidas” por onde transitam
nossos pensamentos.
Demonstrações por neuroimagem têm
fornecido evidências sobre a dinâmica
destas redes frontais. Trata-se de um
elenco de operações cognitivas do qual
fazem parte a flexibilidade, o
planejamento cognitivo, e a
auto-regulação dos processos mentais e
comportamentais.
Estas evidências reabrem o debate sobre
a natureza humana: ficou difícil
sustentar a afirmação de que não há em
nós um potencial ético natural. Passa-se
a falar em uma inteligência ética. Se
reconhecida como um potencial humano,
então pode ser desenvolvida.
Os lobos frontais são também
responsáveis pelas formas mais
elaboradas de comportamento: os que
resultam de metas impostas pelo próprio
indivíduo, que dependem de planos e
estratégias, que regulam idéias e ações
por meio do diálogo interior, tais como
esperar alguém mais dez minutos ou ir
embora e deixar um bilhete.
Descobriu-se que solicitações verbais
são eficazes para dar início a estes
comportamentos, mas não têm a mesma
eficácia para interrompê-los ou
redirecioná-los. Neste processo
decisório, o diálogo interior é mais
relevante do que a recomendação externa.
Esta evidência põe em cheque o
tradicional poder atribuído a processos
prioritariamente verbais. Tenho repetido
reiteradamente: “braços não saem da
orelha”, ou seja, para um ser humano
alterar sua ação, não basta receber
instruções, explicações, ou informações.
É preciso “acreditar” que vale à pena –
este é o resultado de um complexo
diálogo interior, agora mapeado pela
neuroimagem.
Lideranças, comunicadores, educadores,
profissionais de RH, precisam se render
a essas evidências, e rever as formas
como vêm tentando estimular o
compromisso com causas, projetos e ações
junto às pessoas com quem se relacionam.
Existe uma profunda diferença entre a
experiência de “perceber” e a de “agir”.
Na percepção se tem a sensação de que
“isto está acontecendo comigo”,. Na
experiência de agir, a sensação é de que
“faço isso acontecer”, e a sensação
seguinte pode ser “poderia fazer algo
mais”.
É na experiência de agir que se encontra
nossa inabalável convicção de vontade.
Assim, a liberdade é um componente
essencial da ação com uma intenção. Mas
nem todas as ações são processadas no
lobo frontal, com este caráter
intencional de vontade.
Em outras regiões do cérebro,
identificam-se comportamentos
automáticos, como um reflexo, ou
impulsos interiores - estados
motivacionais, que resultam em
comportamentos motivados. Entre eles, há
aqueles provocados por forças
fisiológicas bem definidas, como a
regulação da temperatura, fome ou sede.
O atendimento a estes estados
motivacionais têm uma dimensão
biológica, mas em grande parte, o que
nos move é a pura busca do prazer.
Há também os comportamentos motivados de
natureza mais complexa, sem qualquer
determinação biológica identificável,
estimulados por impulsos interiores
puramente subjetivos.
É importante saber que estes
comportamentos motivados, tanto os de
fundo fisiológico como os subjetivos,
são aprendidos ao longo da vida. E
passam a ser percebidos como
“necessidades”, sem que tenhamos
consciência do seu alto nível de
condicionamento.
Mais ainda, o prazer obtido com estes
comportamentos pode ser relacionado a
uma recompensa, um reforço positivo, e
dessa forma transformar-se em causa
permanente de busca de satisfação e bem
estar. O prazer é um objetivo tão
poderoso, que neste processo de
condicionamento pode produzir a
compulsão de repetir exageradamente um
comportamento, ao ponto de causar
dependência psicológica ou física.
Cuidado! Estamos entrando no território
minado do neuromarketing. Seus limites
morais são tênues. Bombas antiéticas
podem explodir sem aviso prévio.
Um alerta para as nossas relações
humanas: que tipo de comportamentos são
estimulados e recompensados nos modelos
atuais? Estamos estruturando cérebros
forjados em necessidades com foco
exclusivo no interesse próprio, na
recompensa imediata? Estimulamos a
dependência a comportamentos
condicionados por um modelo de vida
pouco sustentável? Sabemos estimular
ações baseadas em valores,
intencionalmente estruturadas como um
ato responsável da nossa vontade?
A neurociência pode nos auxiliar nessas
respostas. Demonstrações de neuroimagem
apresentam evidências objetivas sobre
estes comportamentos, e podem compor
indicadores de desenvolvimento.
Voltando ao cérebro ético, também é aí
que processamos a responsabilidade pelo
futuro. A região do cérebro frontal é a
responsável pelos comportamentos que
encerram um fator de expectativa, que
dependem de apreciação sobre ocorrências
e eventos em pontos distintos do futuro.
Podemos dizer que ser sustentável
depende muito desta capacidade.
Sustentabilidade vem sendo compreendida
como uma noção sistêmica, em que ações
precisam ser executadas sob a ótica dos
impactos atuais e futuros. Neste
sentido, um dos maiores desafios tem
sido o “pensar sustentável”. Temos sido
pouco competentes em aliar expectativas,
ações e impactos presentes e futuros de
forma simultânea. Ou seja, precisamos
aprender a conceber conceitos,
tecnologias, métodos, planos, ações
suficientemente eficazes e benéficas no
presente e no futuro.
Integrar pensamento sistêmico à
perspectiva ética continua sendo
desafiador.
Temos o potencial inteligente e ético
para lidar com estes desafios. Mas
precisamos desenvolvê-los. Não será
repetindo modelos que o faremos.
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