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Preocupados
com as dificuldades que as escolas poderiam encontrar para
acomodar mais uma disciplina em seu calendário, optamos por
aulas de
apenas cinco minutos,
a serem ministradas diariamente, de preferência no início de
cada turno escolar, não interferindo com o andamento normal da
sua programação. Além disso, afigura-se mais proveitoso o ensino
de valores humanos em pequenas aulas diárias, do que em uma aula
semanal com duração normal. Há mais facilidade para a fixação
dos conteúdos.
Grande parte das aulas foi elaborada
utilizando-se de contos e inserção de situações fictícias
esclarecedoras, permitindo aos alunos mais fácil fixação dos
ensinamentos. Em determinados momentos, as aulas permitem maior
interação entre professor e alunos, com a socialização dos
temas. Elas foram
elaboradas de tal forma que qualquer professor (a), em qualquer parte do
país, não terá dificuldades para ministrá-las.
Estamos trabalhando com
todos os temas relacionados a valores humanos, tais como, afetividade,
ética, paz, convívio, justiça, respeito, responsabilidade, boas
maneiras, solidariedade, etc. Também procuramos exaltar figuras
da História que vivenciaram tais valores. Igualmente, temos
procurado sempre mostrar que cultivar esses valores é bom e
benéfico para quem os cultiva, não os apresentando como
imposições, já que não são bem aceitas pela atual geração.
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Fundamentação
SOB A
INSPIRAÇÃO DA PEDAGOGIA DO AMOR
DE
PESTALOZZI
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Flor do
cerrado |
É no problema
da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da
humanidade.
Immanuel Kant
Refletindo
sobre o pensamento de Kant acerca a educação convém admitir que
não podemos esperar que a educação ocorra, apenas, na escola
para que venha possibilitar o aperfeiçoamento da humanidade. O
processo se dá no âmbito geral da vida do educando, entretanto,
dois momentos são fundamentais para o desenvolvimento da
educação: a escolar e o lar. Na escola, ela ocorre na interação
do professor com os alunos e com os conteúdos, com as dinâmicas
grupais, com os demais colegas, com os profissionais da
instituição escolar. No lar, ela ocorre no dia-a-dia das
relações familiais, na convivência diária, na formação de bons
hábitos, de bons exemplos, visto ser por meio destes que muitos
filhos se espelham para refletir mais e melhor sobre sua vida.
Da educação
se espera o aperfeiçoamento da humanidade em todos os aspectos.
Espera-se uma educação que possibilite a reflexão construtiva,
que modifique os atos dos sujeitos tornando-os melhores, mais
reflexivos, mais solidários mais fraternos, mais justos, mais
democráticos e éticos. Assim, a educação estará contribuindo,
sobremaneira, com dias melhores.
Entendendo-se
a educação como processo contínuo que ocorre de dentro para
fora, numa conexão permanente do saber sistematizado com o
cotidiano de vida dos alunos, intentamos formalizar uma proposta
de trabalho que pudesse colaborar com a reflexão diária e
contínua na escola, acerca dos valores humanos, utilizando-se de
pequenos espaços na sala-de-aula para tais fins, sem interferir
e nem impedir o plano de aula do dia.
A idéia do trabalho educativo que se apresenta nesta proposta
tem amparo nas reflexões de um teórico da educação, que a
entende como instrumento de transformação, desde que ocorra no
lar e na escola.
Uma sala-de-aula não poderá ser somente, um espaço onde se
deposita e se recebe informações. Os valores humanos cultuados
pela sociedade, apreendidos na cultura e vivenciados na prática,
devem estar, portanto, inseridos no trabalho escolar,
especialmente quando a reflexão puder colaborar com a mudança
individual, no sentido te tornar o ser humano mais democrático e
mais solidário, o que, com certeza, todos esperamos.
Neste sentido
compactuamos com o pensamento de Pestalozzi que, influenciado
pelas idéias de Jean Jacques-Rousseau, acreditava na educação
como um desenvolvimento total do indivíduo, num conjunto moral,
intelectual e físico, cuja potencialidade se encontra na
criança, que deve ser estimulada, principalmente no lar em que
vive: "A escola deve ser a continuação do lar. É no lar que se
encontra o fundamento de toda cultura verdadeiramente humana e
social" – concluía o educador.
A idéia deste
trabalho é propiciar esta breve reflexão em sala de aula, ao
mesmo tempo que o professor poderá sugerir aos alunos que
conversem com seus pais em casa sobre as estórias que lhe são
contadas na escola, para que os pais reforcem a mensagem para
que seja internalizada como parte do processo de formação do
educando como ser integral que é.
Pestalozzi
acreditava que o indivíduo, desde criança, possuísse todos os
meios necessários para a socialização plena e que o papel do
educador era justamente promover o desenvolvimento desses
valores já existentes em cada indivíduo, sempre ressaltando a
importância da família na formação da personalidade. Para ele, a
mãe é a figura central do desenvolvimento educacional. Entendia
que o conhecimento não era propriamente adquirido, mas sim
desenvolvido, pois cada ser humano já nascia com a tendência
espontânea da natureza de seu próprio desenvolvimento. Somente
precisaria de estímulo do educador para a educação moral e
espiritual, ou seja, integral.
Neste
sentido, esta proposta de trabalho intitulada “5 minutos de
valores humanos para a escola” é um estímulo à educação moral e
espiritual, na medida em que propicia a reflexão sobre a boa
convivência entre os homens em qualquer sociedade. O professor
os estimula por meio de pequenas estórias, que aos poucos
poderão ir fazendo parte da formação básica do aluno, um pouco
do que o educador Pestalozzi fazia com suas crianças, em Yverdon,
na Suíça.
O educador de
quem falamos chama-se Johann Heinrich Pestalozzi, nasceu em
Zurich, Suíça, no ano de 1746. Órfão de pai aos 4 anos, passou
por grandes dificuldades, juntamente com a mãe e três irmãos,
com isso consolidou-se sua personalidade predominantemente
humanista, tornando-o um homem sensível e sonhador, sempre
preocupado com o destino dos necessitados. Ainda estudante, já
demonstrava interesse pela causa dos desamparados, participando
sempre de movimentos de reforma política e social. Em 1774, na
esteira de seu pioneirismo, fundou um orfanato, onde tinha a
intenção de ensinar técnica de agricultura e comércio, tentativa
que fracassou alguns anos depois. Resolveu, então, transformar o
projeto agrícola fracassado em um Instituto Filantrópico para
crianças abandonadas, no que também não teve sucesso. Porém,
nunca desistiu de seus objetivos.
Mas foi
durante a Invasão Napoleônica, em 1798, quando a cidade de Stans
foi invadida e seus habitantes massacrados pelas tropas,
Pestalozzi reuniu as crianças desamparadas e passou a cuidar
delas em meio às mais precárias condições. Claramente
influenciado pelas idéias de Jean Jacques-Rousseau, acreditava
na educação como um desenvolvimento total do indivíduo, num
conjunto moral, intelectual e físico, cuja potencialidade se
encontra na criança, que deve ser estimulada, principalmente no
lar em que vive: "A escola deve ser a continuação do lar. É no
lar que se encontra o fundamento de toda cultura verdadeiramente
humana e social" – concluía o educador.
“O objeto da
educação é preparar os homens para viver em sociedade”
A educação do
homem tem, portanto, duas metas:
a) uma
educação geral que aspira à plenitude do homem e a mais completa
humanidade;
b) a educação
condicionada pelo tempo e lugar, que tem um caráter
profissional, ou seja, educa o homem para o ambiente social
dado, e está em correlação com as forças conformadas do meio.
A educação
manual teve importância na pedagogia de Pestalozzi visto que
para ele podem-se realizar atividades desde as mais simples do
trabalho manual até a conquista das atividades complicadas como
as profissões.
A proposta
pedagógica baseia-se na experiência de trabalhar com as crianças
e propunha uma reforma completa das instituições de ensino para
que propiciassem uma educação mais democrática.
A educação
para Pestalozzi possui uma finalidade própria que é a
humanização do homem. Para isso era necessário um método
essencialmente positivo que pudesse
[...] ativar
e fazer o aluno conceber a si mesmo. Não é limitar a partir do
exterior, mas fazer crescer a partir do interior. O método não
tende a um impedimento negativo do mal, mas a uma vivificação
positiva do bem. Trabalha contra a fraqueza, pelo acréscimo da
força realmente existente; contra o erro, pelo desenvolvimento
dos germes inatos da verdade; contra a sensualidade, nutrindo e
fortificando o espírito [...] (in INCONTRI, 2004, p.146).
Para engajar
a vontade moral do ser desde criança, favorecendo sua realização
como homem integral, é necessário um desenvolvimento harmonioso
integrando mãos, coração e cabeça sem que nenhuma destas partes
predomine sobre a outra.
Assim, uma
vez ativado o impulso de tocar a divindade íntima do ser que é o
amor, na criança, não deverão faltar esforços do educador e do
educando para colaborar com o desenvolvimento harmonioso que se
dá, a partir do interior dos alunos, de forma natural e não
coercitiva.
Afirma
Incontri (2004) não se tratar de uma sentimentalidade tola, nem
tampouco de romantização do processo pedagógico, mas de atitude
concreta do educador que respeita no educando um ser inteiro. A
educação dos sentimentos, neste processo de interação
educador-educando, por meio de estórias de vida, poderá
proporcionar o exercício de nobres virtudes tão necessárias à
geração de homens e mulheres confusos em relação aos valores
humanos, frutos de uma educação que ainda não possui como
suporte a pedagogia do amor.
Ninguém
enfatizou o amor como fundamento, meio e finalidade da educação,
como Pestalozzi. Não o fez em detrimento da racionalidade, que
busca, através da prática, um amor “vidente” ou “esclarecido”,
que não se perca nos impulsos da sentimentalidade, nem tampouco
se embarace nos frios cálculos da razão, mas que é importante
que todas as forças se conjuguem.
Por esta
razão utilizar as estórias que tratem dos valores humanos na
escola durante poucos 5 minutos, em cada aula, ajudará as
crianças, não somente a enxergarem os sentimentos nobres e os
valores a serem desenvolvidos como honestidade, respeito, ética
e moral, mas sentí-los e vivê-los, mudando o panorama das novas
gerações do mundo, um dos maiores contributivos da educação para
um mundo melhor.
Para
Pestalozzi, “o amor pedagógico é justamente o que não enxerga,
mas sente o ser humano como detentor de potencialidades, como
herdeiro da divindade e como dono de si mesmo, no processo de
auto-educação [...]. Este processo deve ser deflagrado pelo
educador no educando (INCONTRI (2004, P. 147).
Deste modo
Pestalozzi é considerado um dos pais da educação autônoma e de
liberdade com forte presença no estímulo do educador;
enfatizando a formação do homem ético, sem desprezo pelo
desenvolvimento cognitivo e, das idéias de transformação
sociopolítica, sem apelo a um sistema totalizante e autoritário.
Esta é, pois,
a contribuição teórica que ancora o trabalho pedagógico “5
minutos de valores humanos para a escola” num intento de
colaborar com a formação ético-moral das nossas crianças e
adolescentes.

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